quinta-feira, novembro 17, 2011

Do gosto...

Hoje havia pensado em refletir sobre o isolamento (na verdade ontem...).
O isolamento que os carros me parecem fazer da vida, ou do Real, num sentido bem zizekiano.
Deixarei este pra depois para falar do gosto... do gosto da poesia, do gosto da arte.
Recebi um e-mail de um amigo querido que trazia uma poesia atestando como de autoria de um dos
meus prediletos: Mário Quintana.
Após ler a poesia senti um ruído... algo não se encaixava. Como de praxe, cascavilhei a internet e descobri o poema real. Ele nem era como alguns por aí que destoam completamente do poema verdadeiro ou simplesmente não são... Esse tinha apenas modificações duvidosas e um final decididamente não-quitaniano.
Descoberto o equívoco, enviei para meu amigo com outros poemas gostosos... mas ficou uma questão:
não sendo uma conhecedora profunda deste poeta, como consegui identificar nesta e em outras vezes esse ruído?
Uma conversa com um iluminado respondeu minha questão rapidamente: eu sei o gosto da poesia do Quintana.
Se nos permitem uma licença sensível, farei isso: misturarei os sentidos.

Talvez a arte seja exatamente isso... a possibilidade de provocar os sentidos e nos permitir misturá-los - seja na figura de linguagem, seja fora dela...
Assim, conhecer Quintana, ou um pintor, ou um dançarino, ou um outro criador parece ser conhecer aquela marca, evidente ou não, que os faz singulares aos nossos sentidos. E em se tratando de poesia, é mais difícil ainda de decifrar qual é o sentido que nos toca...o olfato ou o paladar...a visão ou a audição... o tato... todos.. ou nenhum...

Nessas horas tardias, permito-me correr desse enigma. Ficamos acertados assim...
Eu sei o gosto, seja lá de onde ele for.

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