Este foi um final de semana de muitas aprendizagens do cotidiano.
Das mais sensoriais e sedutoras, as mais grosseiras e decepcionantes.
No início do fim de semana, em conversa com um amigo, lembrei de um dos meus primeiros escritos para o cotidiando. Falava sobre um barulho nada usual e, sendo assim, tinha haver com os sentidos, com aqueles pequenos detalhes que precisamos nos concentrar para perceber nesta louca vida que temos.
Brincando com as palavras, acabamos conversando sobre sensações e ele conseguiu trazer algo desconhecido para mim até aquele momento: o som da barba roçando a pele. A mistura de sentidos é surpreendentemente sedutora e deixa a imaginação livre para arriscar esse som e o momento de ouvi-lo.
O final de semana seguiu seu passo e mais adiante me deparei com um dos limites mais incômodos - para mim - do nosso sistema econômico (capitalismo): as barreiras ao sonho, a vida, às emoções. Diante da sobrevivência cotidiana, medida por centavos e avaliada a mão de ferro por uma suposta boa conduta moral e ética, alguns dos nossos companheiros e companheiras têm seu horizonte ceifado. Sua inteligência, clara a muitos olhares, esbarra nas fronteiras do capital necessário a sobrevivência e de uma necessidade de autoafirmação a partir de um "orgulho honrado" por vezes transformado em brasa. O sorriso cativante transforma-se numa faca afiada, cheia de uma malícia venenosa. Assim, viver um sonho, intenso e sagaz, deixa de ser provável, ou sequer possível.
"...A alegria vira ansiedade e perde o encanto doce de te surpreender de verdade...".
E quando já achava que não havia mais nada que o cotidiano pudesse me trazer de novo, vem o universo e julga e condena para sempre a falta de cuidado, de zelo, de experiência. O outro não pode ser tua medida de aprovação, mas tem sempre que ser a medida do respeito e desvelo necessários para seguirmos a caminhada. Para isso, é preciso "concentração e muito ciso", como já dizia o poeta.
Sigamos nos distraindo e vivendo, sempre, um grande amor!
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